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segunda-feira, 18 de junho de 2012

maranata - Agora é que percebo que não somos bem vindos. Claro! A “obra” é “perfeita” e nós… Só que se esquecem que O PERFEITO nos ama imperfeitos.

Irmãos,
quero agradecer a todos pelos comentários de apoio e consolo.

Como falei, vou a cada dia postando partes da minha história de discriminação e preconceito vividos na Maranata já que o artigo trata exclusivamente desse assunto e o CV recomenda que observemos o foco.

Como foram quase 20 anos então, só o problema de estacionamento da para escrever um livro.
Vou começar do maanaim que não tem muita estrutura e eu compreendia isso e não fazia nenhuma exigência mesmo tendo direito. O que eu pedia era para colocar meu carro mais perto da pista porque o estacionamento era no meio do mato. Os responsáveis, sempre de peito estufado diziam: ” A orientação do sinhô é a ordem de chegada”.
Eu explicava para ele que tinha dificuldade para andar no mato e usava muletas mas ele não se sensibilizava. Assim, muitas vezes meu carro ficava muito longe. Eu perdia o equilíbrio, me molhava quando estava chovendo.

Certa vez eu havia estacionado perto da cantina onde trabalhava. Precisava descarregar algumas coisas que havia comprado para a cantina(claro que com meu dinheiro). Como havia outros carros ali eu deixei o meu também. Veio um pastor com o peito estufado e com toda a autoridade disse: Tire o seu carro dali e coloque no estacionamento!
Só o meu ele mandou tirar.
Meu carro era adaptado e quando alguém o dirigia minha adaptação não funcionava e isso me causava grandes transtornos no trânsito por isso eu não deixava ninguém dirigi-lo. Conclusão, na hora de ir embora, meu carro estava no final do estacionamento, havia chovido e minha perna pregava no barro e eu não tinha força para dar o passo então eu tinha que puxá-la com a mão. Para completar a minha irritação um diácono me perguntou se eu queria que ele ma carregasse no colo. Eu gritei um não bem impaciente e pelo jeito foi só esse grito que chegou ao ouvido dos pastores porque os motivos dessas reações não chegavam.

Quero esclarecer aos irmãos que as pessoas com deficiência física não querem ser carregados, ou seus veículos manobrados, não. Nós queremos é o nosso direito de ir e vir sendo respeitados. Claro que se for necessário pediremos ajuda. Eu por exemplo, peço ajuda em escadas e em terrenos irregulares.

Os templos e maanains são construções novas e não devia estar fora das normas técnicas de acessibilidade. Já faz tempo que os cursos de arquitetura incluíram essa disciplina em sua grade curricular. Não há justificativas para nos negar esse direito.

Agora é que percebo que não somos bem vindos. Claro! A “obra” é “perfeita” e nós… Só que se esquecem que O PERFEITO nos ama imperfeitos.
Jesus jamais tratou assim as pessoas com deficiência. Todas Ele curou e eu espero e quero ser curada apesar de não ser infeliz por ter uma deficiência. Em tudo dou graças.

Nos últimos anos no maanaim, depois de tanto pedir e cair e também porque um pastor tomou a frente e se condoeu da causa dos deficientes, eles arrumaram um local para eu estacionar mas nas últimas vezes em que eu estive lá fui impedida de usá-lo.

Descobri depois de muitos anos que não se importavam em resolver esse problema porque eu não sou rica e nem importante porque um irmão, que é grande autoridade aqui, tinha vaga cativa no estacionamento e todos respeitavam.

Como falei esse assunto é extenso.
Depois continuo.

A paz do Senhor Jesus.
Eurípia Inês

fonte: http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2012/06/discriminacao-e-preconceitos/#comment-12960

maranata - Eu dei minha vida, meu tempo, a minha alma, o meu amor por essa igreja e o que eu recebi em troca? Discriminação, preconceito e desprezo.

Querido CV,

Meu nome é Eurípia Inês e quero agradecer por esse artigo “Discriminação e preconceito”. Ele e os comentários falam exatamente aquilo que vivi por quase 20 anos na maranata.

Esses comentários acima se referem a mim. Vários irmãos vieram me perguntar se era eu e se eu tinha realmente passado por tamanhos sofrimentos.

Esse comentário do esparadrapo por exemplo, foi muito doído pela frieza com que esse casal me tratou. Eu fiquei sem chão pensando: Que Deus é esse que dá seu único Filho por amor de nós e depois me nega um pedaço de esparadrapo estando eu em apuros, longe de casa. Ainda,(tiro de misericórdia) disseram que eu “deveria ter previsto que ia perder parte do parafuso”.

Eu tive paralisia infantil que me deixou sequelas irreversíveis. Fiz muitas cirurgias, fisioterapia e usei muletas e botas ortopédicas por muitos anos. Hoje sou mais charmosa usando uma linda bengala.

Eu era muito dedicada. Trabalhei como professora de adolescentes, intérprete de LIBRAS, trabalhei na cantina do maanaim por muitos anos, minha casa eu abri para trabalho durante 3 anos, limpava o chão, lavava o banheiro, enfim, eu fazia todos os serviços e não me escorava na minha deficiência para ficar ociosa na igreja. Eu dei minha vida, meu tempo, a minha alma, o meu amor por essa igreja e o que eu recebi em troca? Discriminação, preconceito e desprezo.

Eu já li a Palavra toda várias vezes e o que mais me consumia de angústia era não entender o quanto a igreja estava longe do Evangelho de Jesus e mais ainda no que diz respeito à pessoas com deficiência. Jesus SEMPRE se compadecia delas e as curava mas na maranata não,o que ela fazia era colocar tropeços para dificultar nossa locomoção e inclusão.

Só para exemplificar, o pastor trocou o piso da entrada da igreja. Era uma calçada lisa que podíamos andar sem problemas e ele colocou lajotas entremeadas com grama. Isso foi péssimo para mim, um irmão hemiplégico e duas idosas cadeirantes. Eu pedi para ele não fazer aquilo eu chorei e ele foi grosso comigo e não me ouviu. Um dia na madrugada eu caí e me machuquei e as irmãs de cadeira eram carregadas por dois obreiros.

O banheiro nesta época foi todo reformado e com dinheiro nosso. Eu fiz um polpuda doação. Eu pedi para esse mesmo pastor colocar uma porta mais larga para os cadeirantes terem acesso mas ele gritou comigo parecia um leão feroz.

Teve um casamento em que a irmã do noivo era cadeirante e como todos os familiares ficam nos primeiros bancos nestas ocasiões, eu sugerir que se colocasse um banco menor na frente para caber a cadeira dessa irmã, mas o pastor virou um leão feroz. Eu chorei muito com esses fatos.

Mas a minha preocupação maior era com os deficientes que não suportaram esses desrespeitos e foram embora como um jovem que depois de ir à igreja algumas vezes e encontrar o banheiro (nesta unidade local tinha banheiro adaptado) cheio de latas de tintas, rodos e vassouras. Fizeram depósito do banheiro.

Eu tive que esperar muito tempo para sair da Maranata porque foram muitos acontecimentos como estes que me deixaram magoada e triste. Eu não queria sair sentindo isso pelos pastores e irmãos.

Também quero deixar claro que sempre os procurava para explicar a necessidade dos deficientes mas eles me tratavam como louca, revoltada, complexada e com predisposição a me sentir discriminada. São fatos revoltantes de causar indignação em qualquer pessoa mas não naqueles líderes.

Certa vez em uma grande evangelização em que o PES veio aqui em Brasília, eu fui mais cedo para o local para ajudar a organizar. Eu estacionei meu carro numa vaga especial para deficientes (e eu tenho a autorização do DETRAN). Veio um obreiro cheio de autoridade e “orientação do sinhô” me mandando tirar o meu carro. Eu disse que não iria tirar porque estava na vaga especial ele então estufou o peito e disse que aquelas vagas eram para as autoridades. Eu falei: Mas são as autoridades quem fizeram as leis reservando vagas para deficientes. Ele queria que eu desse a chave para ele tirar meu carro. Ninguém me defendia e só me acusava de rebelde, difícil, problemática…

Eu NUNCA pensei que fosse em uma igreja chamada Cristã, que eu receberia o pior tratamento com relação à minha deficiência. Eu trabalho, frequento diversos locais públicos e os responsáveis se esforçam para que tenhamos pleno acesso, ao contrário da Maranata.

Irmãos, tenho muito ainda a falar sobre outros fatos que por longos anos que feriram, trouxeram muito sofrimento e até prejuízo não só a mim mas a outras pessoas com deficiência. Relatarei nos próximos comentários.

A paz do Senhor Jesus.

Eurípia Inês.

fonte: http://cavaleiroveloz.com.br/index.php/2012/06/discriminacao-e-preconceitos